Muitas vezes, tratamos nosso corpo como uma máquina de produtividade ou um objeto a ser moldado. Mas, e se pararmos de vê-lo como um fardo e passarmos a habitá-lo como um território de descoberta? No naturismo, o prazer não é um destino sexual; é uma frequência vibratória de presença e liberdade.
ALÉM DO ERÓTICO
O termo “estesia” refere-se à capacidade de sentir. Vivemos em uma era de anestesia social, onde as roupas pesadas e as normas rígidas silenciam nossa pele. O sociólogo e filósofo David Le Breton, em sua obra Antropologia do Corpo, discute como o homem moderno se desconectou de seus sentidos.
Recuperar o corpo como território de prazer significa permitir que a pele cumpra sua função primordial: ser o maior órgão de contato com o universo. O prazer natural está:
- No toque da brisa que circula por todo o corpo, sem barreiras têxteis.
- No calor do sol que aquece a pele de forma uniforme.
- Na sensação da água que envolve cada centímetro do ser durante um mergulho.
A AUTONOMIA DO PRAZER
O filósofo Epicuro já ensinava que a felicidade reside na ausência de dor e na busca por prazeres simples e naturais. Quando aplicamos isso à nudez não sexual, desconstruímos a ideia de que o prazer corporal depende do outro.
Ter prazer no próprio corpo é uma forma de autoafirmação política. É dizer: “Meu corpo me pertence, ele sente, ele pulsa e ele é fonte de alegria por si só”. É a transição da vergonha (olhar externo) para o deleite (sentir interno).
O CORPO QUE DANÇA, RESPIRA E EXISTE
No território do prazer natural, não existem “áreas proibidas”. Existe um mapa de sensibilidade. Ao caminhar descalço ou sentir o ar na pele, você reativa terminações nervosas que a cultura da vestimenta constante tentou adormecer.
O prazer aqui é vitalidade. É a alegria de sentir os pulmões expandindo, o sangue circulando e a pele reagindo ao ambiente. É transformar o corpo de uma “prisão de carne” em um “santuário de sensações”.
(Redação Desnudarte | Fotos: Divulgação)